Inteligência Epistêmica

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Convivendo na MATRIX...
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Adão e Eva - a Teoria da Evolução (vídeo: O Desafio de Darwin)

Alguns teólogos tem procurado conciliar a história de Adão e Eva com a Teoria da Evolução. Teilhard de Chardin foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que logrou construir uma visão integradora entre ciência e teologia. Através de suas obras, legou-nos uma filosofia que reconcilia a ciência do mundo material com as forças sagradas do divino e sua teologia. Disposto a desfazer o mal entendido entre a ciência e a religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. Do lado da Igreja Católica, por sua vez, foi proibido de lecionar, de publicar suas obras teológicas e submetido a um quase exílio na China. Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A Razão substituindo-se à Crença. Nossa geração e as duas precedentes quase só ouviram falar de conflito entre Fé e Ciência. A tal ponto que pôde parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela. Ora, à medida que a tensão se prolonga, é visivelmente sob uma forma muito diferente de equilíbrio – não eliminação, nem dualidade, mas síntese – que parece haver de se resolver o conflito. O Padre Ariel Álvarez Valdez sustenta que trata-se de uma parábola composta por um catequista hebreu, a quem os estudiosos chamam de “yahvista”, escrita no século X AC, que não pretendia dar uma explicação científica sobre a origem do homem, mas sim fornecer uma interpretação religiosa, e elegeu esta narração na qual cada um dos detalhes tem uma mensagem religiosa, segundo a mentalidade daquela época. John F. Haught, filósofo americano criador do conceito de Teologia evolucionista, diz que "o retrato da vida proposto por Darwin constitui um convite para que ampliemos e aprofundemos nossa percepção do divino. A compreensão de Deus que muitos e muitas de nós adquirimos em nossa formação religiosa inicial não é grande o suficiente para incorporar a biologia e a cosmologia evolucionistas contemporâneas. Além disso, o benigno designer [projetista] divino da teologia natural tradicional não leva em consideração, como o próprio Darwin observou, os acidentes, a aleatoriedade e o patente desperdício presentes no processo da vida”, e que “Uma teologia da evolução, por outro lado, percebe todas as características perturbadoras contidas na explicação evolucionista da vida”, sobre as idéias de Richard Dawkins, Haught declara que: “A crítica da crença teísta feita por Dawkins se equipara, ponto por ponto, ao fundamentalismo que ele está tentando eliminar”. Ilia Delio, teóloga americana, sustenta que a teologia pode “tirar proveito” das aquisições de uma ciência que vê na “mutação” o núcleo essencial da matéria. Link para arquivos digitais com teorias e PROJETOS EVOLUTIVOS: http://www.4shared.com/office/5MeJ6Isd/Grafeno_Material_do_futuro.html Grafeno Material do futuro.pps [URL=http://www.4shared.com/office/5MeJ6Isd/Grafeno_Material_do_futuro.html]Grafeno Material do futuro.pps[/URL] http://www.4shared.com/office/NdRVpLLO/Proyecto_Matriz_-_Pedro_Pozas_.html Proyecto Matriz - Pedro Pozas Terrados.pps [URL=http://www.4shared.com/office/NdRVpLLO/Proyecto_Matriz_-_Pedro_Pozas_.html]Proyecto Matriz - Pedro Pozas Terrados.pps[/URL] O Rabino Nilton Bonder sustenta que: "a Bíblia não tem pretensões de ser um manual eterno da ciência, e sim da consciência. Sua grande revelação não é como funciona o Universo e a realidade, mas como se dá a interação entre criatura e Criador". Em 1858, a vida de Darwin parecia esta se desmoronando. Sua revolucionaria teoria da evolução é contestada, enquanto seus filhos estão doentes. Com a sua carreira ameaçada e sua vida pessoal em crise, é sua esposa Emma, uma pianista clássica que estudou com Chopin, que o ajuda a perceber que o que ele chamou de mistério da vida é afinal o mistério e a verdade escondida dentre milhares de anos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Shânkara (vídeo: Taare Zameen Par - Toda criança é especial, 2007)

Viveu no período de (c. 788 – 820) foi um metafísico e monge errante indiano. Foi o principal formulador doutrinal do Advaita Vedânta, ou Vedânta não-dualista. Segundo a tradição, foi uma das almas mais excelsas que já encarnaram neste planeta, chegando a ser considerado uma encarnação de Shiva. Sua vida encontra-se envolta em mistérios, prodígios e lendas que a tornam semelhante à de outros insignes mestres espirituais da humanidade, como Jesus e Maomé. Outras grafias do seu nome são: Sankaracharya, Sancaracarya, Shankaracharya, Sankara, Adi Sankara, Adi Shankaracharya ou Adi Shankara, também chamado de Bhagavatpada Acharya (que significa "o Mestre aos pés do Senhor").

Escreveu profundos comentários sobre os Upanishades, o Bhagavad-Gita e outros livros da sabedoria hindu. Seus escritos fundamentaram as exposições doutrinais dos autores da Filosofia Perene na época contemporânea, como o francês René Guénon e o suíço-alemão Frithjof Schuon.
Não se sabe ao certo onde e quando nasceu. Alguns o fazem aparecer no século II a.C., já outros fazem a data avançar até mesmo ao século X d.C. Contudo, existe a tendência de situar seu nascimento em torno do século VIII da era Cristã. Igualmente o local de seu nascimento é objeto de disputas, sendo indicadas as povoações de Shringeri, Sasala-grama, Cidambara-pura, Kalati e por fim Kalpi.

Sivaguru e Aryamba, seus futuros pais, há muito desejavam um filho. Então, conforme a lenda, Shiva lhes apareceu em sonho, perguntando se desejavam um único filho, que seria o filósofo mais brilhante de sua geração mas morreria jovem, ou muitos rebentos, todos porém medíocres. Optando pela primeira alternativa, nasceu então Sankaracharya. A tradição oral relata a ocorrência de diversos prodígios na ocasião de seu nascimento, como o congraçamento de feras anteriormente hostis entre si, a emanação sobrenatural de fragrâncias por árvores e outras plantas, a audição de cantos celestiais e outros fenômenos que espelhariam a alegria da natureza e dos deuses com seu nascimento. Narra-se que com apenas um ano de vida teria aprendido o alfabeto sânscrito, aos dois já saberia ler e aos três teria estudado os Kavyas e os Puranas. Com sete anos suas luzes já eram tantas que deixou o professor e voltou para casa. Ainda na infância começou a operar milagres, curando a mãe e provocando a cheia de um rio. Na mesma época o sábio Agastya profetizou à mãe de Sankaracharya que seu filho não ultrapassaria os 32 anos de vida. Percebendo a fragilidade do mundo material, Sankaracharya decidiu assumir a vida de asceta errante. Encontrando a objeção materna, venceu a oposição com outro milagre. Tendo ido banhar-se em um rio, seu pé foi abocanhado por um crocodilo. Acorrendo a mãe ao local, foi-lhe dito que a fera não o soltaria se ela não concordasse com o propósito do jovem, e então ela cedeu.

Os escritos de Sankaracharya têm uma grande lucidez e profundidade, penetrante insight e grande habilidade analítica. Apesar disso, sua abordagem dos temas é mais religiosa e psicológica do que puramente lógica, o que o torna, na apreciação contemporânea, mais um grande reformador religioso do que um filósofo. Sua obra trai um grande conhecimento do saber Bramânico ortodoxo da época, bem como do Budismo Mahayana. Muitas vezes tem sido criticado como um Budista disfarçado, pela similitude de sua doutrina com aquela do Buda. Mesmo assim, combateu muitos pontos da doutrina Budista ou adaptou-os à sua interpretação advaíta do Vedanta. Na época de Sankaracharya o Hinduísmo havia degenerado sob a influência do Budismo e do Jainismo. Sankaracharya enfatizou a importância dos Vedas, reabilitando o Hinduísmo. Sua teologia sustenta que a ignorância espiritual (avidya) é causada pela visão de um eu onde não existe eu algum. Sankaracharya propôs que embora o universo dos fenômenos seja de fato experimentado, não obstante ele não é a verdadeira realidade. Não renega o universo, mas diz que a verdade derradeira é Brahman, que está além do tempo, do espaço e da cadeia de causação. Apesar de ser a causa eficiente do universo, Brahman não se encontra limitado por esta sua autoprojeção, transcendendo toda dualidade ou pares de opostos (donde o termo advaíta, ou não-dual). O indivíduo deve entender sua verdadeira natureza e ser, que não é a mudança e a mortalidade, mas sim a beatitude eterna. Para compreendermos o verdadeiro móvel de nossos atos e pensamentos devemos despertar para a unidade do ser. Já que a mente limitada do indivíduo não pode abarcar o Eu universal ilimitado, a mente individual deve ser transcendida para conseguirmos a união com a consciência universal. Sankaracharya denunciou o sistema de castas e os rituais como tolices, e ensinou que a verdade deve ser atingida pela meditação sobre o amor divino. Sua maior lição é que a razão e a filosofia abstrata não são suficientes para aquisição da liberdade (moksha), sendo imprescindível o altruísmo (a negação do eu pessoal) e o amor orientado pela discriminação (viveka). A acusação de influência Budista é negada com a refutação da negação do ser (shunyata) dos Budistas, acreditando que o Brahman não-manifesto se manifesta efetivamente como Ishvara, o ser excelso e perfeito que é adorado sob vários nomes.

A ontologia e epistemologia do Advaita Vedanta
O cristianismo pode ser considerado, em sua forma mais ortodoxa, uma espécie de dualismo, no qual o criador e sua criação possuem diferenças ontológicas insuperáveis. Deus é anterior ao mundo que ele criou e a criação é ato de sua vontade e não de uma necessidade lógica e inevitável de sua natureza divina. Identificar criador e criatura, como bem parece demonstrar as reações frente a obra de um pensador como Espinosa, seria rebaixar e confundir dois níveis ontológicos qualitativamente diferentes. De um ponto de vista estritamente filosófico, um dualismo desse tipo parece, a princípio, se adequar melhor ao senso comum quando comparado a um monismo, pois estabelece uma separação entre os entes cotidianos e o absoluto, o que preservaria as diferenças, individualidades e a pluralidade dos fenômenos tão evidentes e caros ao senso comum. Estes parecem ser esvaziados de conteúdo ontológico autêntico quando concebidos dentro de um monismo, seja do tipo defendido por Espinosa, que entende os objetos materiais e conceituais como atributos e modos de Deus, seja do idealismo absoluto hegeliano, que concebe o Absoluto como a atividade incessante do Espírito – seja na Natureza ou na consciência e história humana. Tal é a situação que a filosofia do Advaita, o não-dualismo, coloca diante do leitor: como conciliar Brahman; um absoluto tão universal, simples e total; com as coisas, as idéias e os "eus" individuais? Em outras palavras: como o Absoluto se relaciona com o relativo e o contingente? Por isso, entender a ontologia descrita por Shankara é compreender a natureza do Brahman. Deve-se ressaltar, logo de início, que Shankara não é um racionalista do tipo cartesiano que visa provar por meios puramente intelectuais a existência da divindade. São os Vedas as fontes privilegiadas para o conhecimento do Absoluto e todo e qualquer discurso acerca dele deve partir e voltar para os textos sagrados. O debate em termos estritamente racionais visa apenas armar aquele que já dispõe da verdade frente os adversários heréticos(GATHIER, 1996: 62).

A epistemologia do Advaita
A teoria do conhecimento é necessariamente articulado à ontologia da filosofia de Shankara. A necessidade de se explicar a relação entre Brahman e o mundo material gerou uma diferenciação quanto ao modo como podemos conhecer o Absoluto e não uma diferença na natureza dele mesmo. A separação entre Nirguna e Saguna advém de nossas capacidades cognitivas. O que leva a considerar tanto os aspectos empíricos como os aspectos metafísicos do conhecimento. De um ponto de vista puramente metafísico, o conhecimento é identificado com a Pura Consciência, que está além da relatividade do sujeito individual. Essa Consciência é a priori, anterior a qualquer forma de existência material, não podendo ser negada ou afirmada. A existência dos objetos é dada pela luz vinda dessa Consciência, sendo ela, portanto, a última realidade. Os objetos referem-se a ela, mas ela não se relaciona e nem depende destes objetos. Brahman Jnana (o conhecimento de Brahman) não pode ser adquirido via dados empíricos, mas tão somente quando se supera a avidya e se compreende a real natureza do Maya. (SATPRAKASHANANDA, 1965: 15-18).
O conhecimento empírico é relacional, pois muda conforme os objetos. Seria um saber preliminar, tomado pela ignorância. Brahman, por exemplo, é entendido como causa material do universo e diretamente relacionado com o universo em função desta influencia da adhyasa que sobrepõem o Brahman Absoluto ao mundo como um todo. Segundo Padmapada, fundador do Vivarana Advaita
"Superimposition (adhyasa) means the manifestation of the nature of something in another which is not of that nature. That manifestation, it is reasonable to hold, is false (mithya). The world “mithya” is of double signification – it is denotative of negation as well of inespressibility. Here is an expression of negation" (DEUTSCH 2004: 308).
O fundamento do ato de conhecer é o Eu: ele é auto-evidente, não necessitando de provas ulteriores, como já foi afirmado. É o fundamento, no sentido de início, do ato de conhecer, é ele que ilumina os objetos a serem desvelados, isto é, conhecidos. Na base de cada eu individual está a onipresente consciência pura de Brahman. Ele se manifesta nas criaturas e, em uma clara ligação entre epistemologia e ontologia, faz com que as criaturas se manifestam, pela iluminação gerada pelo conhecimento. Tal caráter revelador do conhecimento distancia o Advaita de filosofias da representação que tanto marcaram a filosofia ocidental durante os séculos XVI até o XIX. O ato que conhecer não é um acesso direto às representação mentais que fazemos dos objetos exteriores ao espírito e sim, segundo Shankara, é fazê-los presentes, desvelá-los. Tal epsitemologia distancia-se também de concepções construtivistas e interpretativas do conhecimento que se tornaram comuns no século XX.

Every child is special
Direção: Aamir Khan e Amole Gupte
Roteiro: Amole Gupte
Sinopse: Ishaan (Darsheel Safary) é um garoto de oito anos que não possui muitos amigos. Vive com sua família em um conjunto na Índia. Ishaan apresenta muitas dificuldades na escola, tendo sido reprovado no ano anterior. Já seu irmão é o melhor da classe, tendo sucesso nos esportes também. Após uma reunião com os professores de Ishaan, que informam aos pais que o menino não apresenta avanços na escola, eles decidem enviar o garoto a um colégio interno para que seja disciplinado e consiga êxito nos estudos. Após um período em que se torna cada vez mais triste e solitário, sofrendo severas punições dos prefessores, Ishaan conhece o professor Nikumbh (Aarmir Khan), que além do trabalho no colégio,leciona também em um colégio para crianças com necessidades educacionais especiais. É com o trabalho realizado pelo professor Nikumbh com os outros professores e com a família de Ishaan que o garoto começa a compreender o mundo da leitura e da escrita e vê sua infância tomar um rumo diferente.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Filocalia (vídeo: Relatos de um Peregrino Russo)

é um livro clássico da literatura católica ortodoxa, como uma coletânea de textos de autores diversos sobre a Oração do Coração. Filocalia significa "amor à beleza", essa beleza que se confunde com o bem. Em 1782 foi publicada em Veneza sob o nome de Filocalia uma grande compilação de autores espirituais gregos das mais variadas épocas. Com textos de mais de trinta autores, desde os Padres do Deserto até autores bizantinos do século XIV. O sucesso recente da Filocalia deve-se ao livro Relatos de um Peregrino Russo. Filocalia é, antes de tudo, o livro da Oração do Coração ou Oração de Jesus.


Santo Antão do Deserto e São Paulo de Tebas. Por Diego Velásquez (1638), atualmente no Museu do Prado.
Relatos de um Peregrino Russo é o título em português de um livro de autor russo anônimo do século XIX, que trata da narração da jornada do autor pelo país, enquanto descobrindo e praticando a Oração de Jesus devotamente, com ajuda de um rosário e estudando a Filocalia.

Os Padres do Deserto ou Pais do Deserto foram eremitas, ascetas, monges e freiras que viviam majoritariamente no deserto da Nítria (Scetes), no Egito a partir do século III d.C. O mais conhecido deles foi Santo Antão (ou Santo Antônio, o Grande), que mudou-se para o deserto em 270-271 e se tornou conhecido tanto como o pai quanto o fundador do monasticismo no deserto. Quando Antão morreu em 356, milhares de monges e freiras tinham sido atraídos para a vida no deserto seguindo o exemplo do grande santo. Seu biógrafo, o doutor da igreja Atanásio de Alexandria, escreveu que "o deserto tinha se tornado uma cidade".

Os Padres do Deserto tiveram uma enorme influência no desenvolvimento do cristianismo primitivo. As comunidades monásticas do deserto que cresceram destes encontros informais de monges eremitas se tornaram o modelo para o monasticismo cristão. A tradição monástica oriental, representada em Monte Atos, e ocidental, sob a Regra de São Bento, foram ambas fortemente influenciadas pelas tradições iniciadas no deserto. Todos renascimentos monásticos da idade média buscaram no deserto alguma inspiração e orientação. Muito da espiritualidade da cristianismo ortodoxo, incluindo o movimento hesicasta, tem as suas raízes nas práticas dos Padres do Deserto. Mesmo renascimentos religiosos mais modernos, como os evangélicos alemães, os pietistas da Pensilvânia e o renascimento metodista na Inglaterra foram vistos por estudiosos atuais como tendo sido em alguma medida influenciados pelos Padres do Deserto.

Paulo de Tebas é geralmente creditado como tendo sido o primeiro monge eremita a ir para o deserto, mas foi Santo Antão que efetivamente lançou o movimento que se tornaria os Padres do Deserto. Em algum momento por volta do ano de 270 d.C., Antônio ouviu um sermão de domingo afirmando que a perfeição poderia ser alcançada vendendo-se todas as posses, doando o resultado aos pobres e seguindo Cristo (tratando de Mateus 19:21, parte dos conselhos evangélicos). Ele aceitou a mensagem e tomou ainda o passo adicional de se mudar para o deserto para buscar a mais completa solidão.

Antão viveu num tempo de transição para o cristianismo - as perseguições de Diocleciano em 303 d.C. foram as últimas grandes perseguições formais aos cristãos no império romano. Apenas dez anos depois, ele foi legalizado no Egito pelo sucessor de Diocleciano, Constantino I. Aqueles que tinham partido para o deserto formavam uma sociedade cristã alternativa ao martírio, que era na época visto por muitos cristãos como a forma mais alta de sacríficio. Nesta mesma época, o monasticismo no deserto apareceu quase simultaneamente em diversas áreas, incluindo o Egito e a Síria. Com o passar do tempo, o modelo de Antão e outros eremitas atraiu muitos seguidores, que viviam sós no deserto ou em pequenos grupos. Eles escolheram a vida de extremo ascetismo, renunciando a todos os prazeres dos sentidos, ricas comidas, banhos, descanso e todos os demais confortos. Milhares se juntaram a eles no deserto, a maioria homens, mas também um punhado de mulheres. As pessoas começaram a ir para o deserto em busca de conselhos e recomendações dos primeiros Padres do Deserto. Quando Antão morreu, havia tantos homens e mulheres vivendo no deserto que ele foi descrito como uma "cidade" pelo biógrafo de Antão, Atanásio de Alexandria.
Três principais tipos de monasticismo se desenvolveram no Egito à volta dos Padres do Deserto. Um foi a vida austera do eremita, como praticado pelo próprio Antão e seus seguidores no Baixo Egito. Outro foi a vida cenobita, comunidades de monges e freiras no Alto Egito formadas por São Pacômio. O terceiro foi uma vida semi-eremita vista principalmente na Nítria e em Scetes, a oeste do Nilo, iniciada por Santo Amum. Estes últimos eram pequenos grupos (de dois a seis) de monges e freiras com um ancião em comum - os grupos separados se reuniam em aglomerações maiores para a celebração dos sábados e domingos. Este terceiro grupo monástico foi responsável pela maior parte dos ditados que foram compilados na obra "Ditados dos Pais do Deserto".

São Pacômio, fundador do cenobitismo.
As pequenas comunidades que formaram à volta dos Padres do Deserto foram o início domonasticismo cristão. Inicialmente, Antão e outros viveram como eremitas, formando ocasionalmente grupos de dois ou três. Pequenas comunidades informais começaram a se desenvolver até que o monge Pacômio, percebendo a necessidade de uma estrutura mais formal, estabeleceu um mosteiro com regras e uma organização. Seu regulamento incluía disciplina, obediência, trabalhos manuais, silêncio, jejuns e longos períodos de oração - alguns historiadores vêem nestas regras como tendo sido inspiradas nas experiências como soldado de Pacômio. O primeiro mosteiro totalmente organizado sob Pacômio incluía homens e mulheres vivendo em quartos separados, até três pessoas em cada. Eles se apoiavam tecendo e fazendo cestos, além de outras tarefas. Cada novo monge ou freira tinha um período probatório de três anos, que terminava com a aceitação completa no grupo. Todas as posses eram mantidas comunitariamente, as refeições eram feitas em conjunto, em silêncio. Duas vezes por semana jejuavam e se vestiam com roupas simples de camponeses, com um capuz. Diversas vezes por dia se reuniam para rezar e para as leituras, e se esperava que cada um dedicasse períodos de tempo sozinhos, em meditação sobre as escrituras. Havia também programas específicos para os que chegassem ao mosteiro sem saber ler. Pacômio também formalizou o estabelecimento de um abba (pai) ou amma (mãe), responsável pelo bem-estar espiritual dos seus monges e freiras, com a implicação de que os que se juntassem o mosteiro estariam também se juntando a uma nova família. Membros também formavam grupos menores, com diferentes tarefas comunitárias e com a responsabilidade de cuidar do bem-estar uns dos outros. Esta nova maneira de viver cresceu a ponto de haver dezenas de milhares de monges e freiras nestas comunidades organizadas nas décadas seguintes à morte de Pacômio. Um dos mais antigos peregrinos ao deserto foi doutor da igreja Basílio de Cesareia, que levou a "Regra de Pacômio" para a Igreja oriental. Basílio também expandiu a ideia de uma comunidade ao integrar os monges e freiras na comunidade mais ampla de cristãos, com os monges e freiras atuando sob a autoridade de um bispo e servindo os pobres e necessitados. Conforme mais e mais peregrinos visitavam os monges do deserto, a literatura que ali se originava começou a se espalhar. Versões latinas de histórias originais gregas e ditados dos Pais do Deserto, assim como as primeiras regras monásticas que saiam do deserto, guiaram o desenvolvimento monástico inicial do mundo bizantino e, eventualmente, no ocidente também. A Regra de São Bento foi fortemente influenciada pelos Padres do Deserto, com São Bento clamando seus monges a lerem as obras de João Cassiano sobre os Padres do Deserto. Os "Ditados dos Pais do Deserto" foram também amplamente lidos nos primeiros mosteiros beneditinos.

São Macário do Egito.
Muitos dos monges e freiras criaram uma reputação de santidade e sabedoria, com pequenas comunidades seguindo determinados anciãos santos e sábios, que era o seu "pai" espiritual (abba, ou abade). Os Padres do Deserto individuais eram majoritariamente conhecidos através dos "Ditados...", que incluam 1.202 ditados atribuídos a vinte e sete abbas e três ammas. O maior número de ditados foi atribuído ao Abba "Poemen", palavra grega para "pastor", o que sugere que foram coletados sob um nome genérico. Entre os mais notáveis Pais do Deserto com ditados no livro, além de Antão, temos Arsênio, o Grande, Macário do Egito, Moisés, o Ladrão e Sinclética de Alexandria. Outros notáveis Pais do Deserto incluem ainda o próprio São Pacômio e Shenouda, o Arquimandritae muitos indivíduos que passaram parte de suas vidas no deserto do Egípcio, como Atanásio de Alexandria, João Crisóstomo e João Cassiano, cuja obra sobre os Padres do Deserto mostrou ao mundo a sabedoria deles. O mandamento do amor era o guia primário da vida dos Padres do Deserto e formou a maior parte das histórias e relatos dos "Ditados...". As suas práticas incluíam não apenas o comando de amar a todos, mas também o de ser transformado pelo amor divino. Para os que viviam a vida comunitária monástica, isso era especialmente proeminente. Seus esforços para viver sob este mandamento não eram vistos como sendo fáceis - muitas das histórias daquele tempo recontam as suas batalhas internas para vencer as emoções negativas, como a raiva e o julgamento dos outros. Ajudar um irmão monge que estava doente ou em luta interna era visto como prioritário sobre quaisquer outras considerações. Eremitas frequentemente saíam de longos jejuns quando recebiam visitas, pois a hospitalidade e o carinho eram mais importantes do que manter as práticas ascetas que eram tão predominantes na vida dos Padres do Deserto.

Cristograma com a Oração de Jesus: Doamne Iisuse Hristoase, Fiul lui Dumnezeu, miluieste-ma pe mine pacatosul (romeno); Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador (português).
Hesicasmo do grego para "quietude, silêncio, descanso, tanquilidade" é uma tradição mística e um movimento que se originou com os Padres do Deserto e era central às suas práticas de oração. Para eles era primordialmente a prática do "silêncio interior e da oração contínua". Ele não se tornaria um movimento formal com práticas específicas até pelo menos as práticas de oração meditativas bizantinas do século XIV, quando ele ficou muito próximo da Oração de Jesus ou "Oração do Coração". A origem desta oração também pode ser rastreada até os Padres do Deserto - a "oração de Jesus" foi encontrada inscrita nas ruínas de uma cela daquele período no deserto egípcio. A mais antiga evidência escrita à prática pode ser um texto da "Filocalia", por Abba Filimon, um Padre do Deserto. A oração "hesicasta" era tradicionalmente praticada em silêncio, com os olhos fechados - não como "uma forma de meditação discursiva sobre diferentes incidentes da vida de Jesus Cristo". As palavras "hesicasta" e "hesíquia" foram frequentemente usadas nas obras dos séculos IV e V dos Padres do Deserto, como Macário do Egito, Evágrio do Ponto e Gregório de Nissa. O título hesicasta foi utilizado nos primeiros anos como um sinônimo de "eremita", contrapondo os cenobitas, que viviam em comunidades.

Mosteiro de São Bishoi, em Wadi El Natrun.
As vidas dos Padres do Deserto eram preenchidas com a recitação das Escrituras - durante a semana, eles cantavam os salmos enquanto realizavam os trabalhos manuais e, durante os finais de semana, eles realizavam liturgias e serviços religiosos comunitários. A experiência dos monges na cela ocorria de várias maneiras, mas o papel da meditação sobre as Escrituras era central. Para eles, a meditação era a recitação oral das escrituras. As práticas em grupo eram particularmente proeminentes nas comunidades mais organizadas formadas por São Pacômio. O objetivo destas práticas foram explicados por João Cassiano, outro Padre do Deserto, que descreveu o objetivo da recitação e do ascetismo como sendo a ascensão para uma profunda oração e contemplação mística. A legalização do cristianismo pelo Império romano em 313 d.C. deu ainda mais força à resolução de Antão sobre ir para o deserto. Ele, que era um nostálgico pela tradição do martírio, via o isolamento e o ascetismo como uma alternativa. Quando membros da Igreja começaram a encontrar formas de trabalhar com o estado romano, os Padres do Deserto também viram nisso um comprometimento entre "as coisas de Deus e as coisas de César". As comunidades monásticas eram essencialmente uma sociedade cristã alternativa. Os eremitas duvidavam que religião e política poderiam algum dia produzir uma sociedade cristã verdadeira. Para eles, a única possível era espiritual e não mundana.
Obras essenciais
Os "Ditados dos Padres do Deserto" (Apophthegmata Patrum)
As "Vidas dos Padres do Deserto" (Historia Monachorum in Aegypte)
A "História Lausíaca", de Paládio da Galácia
"A vida de Santo Antônio, o Grande [Santo Antão]", por Atanásio de Alexandria.
A coleção de textos chamada de "Filocalia"
"As conferências" e "As Instituições", por João Cassiano

Cabala - Kabbalah (vídeo: entrevista Yehuda Berg )


"acolhimento", muitas vezes transliteração contemporânea com um 'K' distingue de outras, as tradições derivados fora do judaísmo é uma disciplina e uma escola de pensamento preocupada com a mística aspecto do judaísmo rabínico. Seu pleno teosófica sistema surgiu a partir do século 11 a 13 no sul da França e Espanha, sendo posteriormente reformulada no século 16 na Palestina otomana, apesar de incorporar mais cedo forma místicas judaica. Por sua vez, tornou-se o fundamento central da mística judaica posterior desenvolvimento. A Cabala é um conjunto de ensinamentos esotéricos para explicar a relação entre um eterno e misterioso Criador e o universo finito e mortal (sua criação). Embora seja muito usado por algumas denominações, não é uma denominação em si, é um conjunto de escrituras que existem fora do tradicional judaica Escrituras. Cabala procura definir a natureza do universo e do ser humano, a natureza e a finalidade da existência, e vários outros ontológica perguntas. Também apresenta métodos para auxiliar no entendimento desses conceitos e, assim, alcançar a realização espiritual. Kabbalah originalmente desenvolvido inteiramente dentro da esfera de pensamento judaico e constantemente utiliza fontes clássicas judaicas para explicar e demonstrar os seus ensinamentos esotéricos.

Estes ensinamentos são, assim, pelos cabalistas para definir o significado interno de ambas as Tanakh (Bíblia hebraica) e tradicional literatura rabínica, a sua ex-oculto transmitido dimensão, bem como para explicar o significado de judeu observâncias religiosas.

De acordo com o Zohar, um texto fundamental para o pensamento cabalístico, Torá estudo pode prosseguir ao longo de quatro níveis de interpretação (exegese). Esses quatro níveis são chamados de Pardes porque suas letras iniciais feitiço "PaRDeS"(Orchard):
Peshat (lit. "simples"): as interpretações direta de significado.
Remez (lit. "dica [s]"): os significados alegóricos (através da alusão).
Derash (de Hebreus:. Darash "saber" ou "procurar"): midrashic (rabínicos) significações, muitas vezes, com comparações imaginativa com palavras semelhantes ou versos.
Sod (lit. "segredo" ou "mistério"): a interna, esotérica (metafísica) significados, expressos em cabala.

A Cabala é considerada por seus seguidores, como uma parte necessária do estudo da Torá - o estudo da Torá (os "ensinamentos" de Deus, no Tanach e literatura rabínica sendo um direito inerente de observador judeus). A Kabbalah ensina doutrinas que são aceitos por alguns judeus, como o verdadeiro significado do judaísmo, enquanto outros judeus rejeitaram essas doutrinas como herético e antitéticas ao Judaísmo. Após a Kabbalah medieval e, especialmente após o desenvolvimento do século 16 e de síntese, a Cabala substituído "Hakira" (filosofia judaica) como na teologia judaica tradicional, tanto nos meios acadêmicos e na imaginação popular. Com a chegada da modernidade, através da influência de Haskalah, isso mudou entre os não-ortodoxos denominações judaicas, apesar de seu século 20 o estudo acadêmico e inter denominacional aplicações espirituais (especialmente através da Neo-Hasidism), despertou um público além da ortodoxia.

As origens do termo Cabala reais são desconhecidos e contestada, ou pertencem a judeus filósofo Solomon ibn Gabirol (1021-1058) ou então ao século 13 cabalista espanhol Bahya ben Asher. Enquanto os outros termos têm sido usados em muitos documentos religiosos do século 2 até os dias atuais, o termo "Cabala" se tornou o principal descritiva do conhecimento esotérico e práticas judaicas. A literatura cabalística, que serviu de base para o desenvolvimento do pensamento cabalista, desenvolvido através de uma tradição teológica desde a Antiguidade, como parte de uma ampla literatura rabínica. Seu desenvolvimento teórico pode ser caracterizado em escolas alternativas e etapas sucessivas. Estas incluem principalmente as obras iniciais do 1º e 2º séculos (como o Heichalot textos e os primeiros livros existentes no judeus esoterismo Sefer Yetzirah), o florescimento medieval do século 12 e 13 (dos quais o principal é o livro Zohar); e modernos desenvolvimentos iniciais, incluindo os revivals mística do século 16 Safed (especialmente de Isaac Luria), e do século 18 da Europa Oriental (novo Hasidic popularização da Cabala).

Segundo a tradição cabalística, o conhecimento era transmitido oralmente pelos patriarcas, profetas e sábios (Hakhamim em hebraico), que viria a ser "entrelaçados" em escritos religiosos judaicos e da cultura. Segundo essa tradição, a Cabala foi, em todo o século 10 aC, um conhecimento aberto praticado por mais de um milhão de pessoas no antigo Israel, conquistas dos negócios estrangeiros dirigiu a liderança espiritual judaica da época (o Sinédrio) para ocultar o conhecimento e torná-lo em segredo, temendo que isso poderia ser utilizada indevidamente se caísse em mãos erradas. Os líderes do Sinédrio também estavam preocupados que a prática de Cabala dos judeus deportados na conquista de outros países (da diáspora), supervisionado e não guiado pelos mestres, poderia levá-los em prática errada e as formas proibidas. Como resultado, a Cabala se tornou secreto, proibido e esotéricos para o judaísmo "Torat Ha'Sod" durante dois milênios e meio.

É difícil esclarecer com algum grau de certeza os conceitos exatos dentro da Cabala. Existem várias escolas de pensamento diferentes, com diferentes perspectivas muito, no entanto, todos são aceitas como corretas. Halakhic autoridades modernos têm tentado reduzir o âmbito e a diversidade dentro da Cabala, por restringir a pesquisa a alguns textos, nomeadamente Zohar e os ensinamentos de Isaac Luria como transmitida através de Chaim Vital.

No entanto, mesmo este título faz pouco para limitar o âmbito de compreensão e expressão, conforme consta essas obras são comentários sobre os escritos Abulafian, Sepher Yetzirah, escritos Albotonian e o Berit Menuhah, que é conhecido para os eleitos cabalístico e que, como descrito mais recentemente por Scholem, combinado com o misticismo extático teosófica. Portanto, é importante ter em mente quando as coisas a discutir como o Sephirot e suas interações que se está lidando com conceitos abstratos muito que na melhor das hipóteses só pode ser compreendida intuitivamente.


Livros sagrados (vídeo: Oprah - A Lei da atração)

são obras literárias presentes nas principais religiões cujos autores teriam recebido uma possível revelação divina. Na opinião dos adeptos das respectivas religiões, tais autores eram pessoas iluminadas, que podiam se comunicar com as divindades inspiradoras. São considerados profetas, muitas vezes.

São exemplos de livros sagrados (de acordo com a respectiva religião):
•Bramanismo: Mahabharata
•Cristianismo: Bíblia
•Hinduísmo: Rig-Veda
•Islamismo: Alcorão
•Judaísmo: Torá e Bíblia
•Kardecismo: livros de Allan Kardec
•Sikhismo: Guru Granth Sahib
•Zoroastrismo: Zend Avesta
•Fé Bahá'í: Kitáb-i-Aqdas
Tais livros são mais comuns nas religiões monoteístas.

Para os cristãos, os livros sagrados são os livros que foram aceitos no Cânon ou livros inspirados divinamente. São os livros bíblicos que os teólogos e estudiosos consideram que seus autores foram inspirados por Deus para escrevê-los, seja por uma revelação ou mesmo por fatos vivenciados, como os mencionados nos Atos dos Apóstolos ou nas cartas paulinas (cartas escritas pelo apóstolo Paulo por inspiração divina). Os livros chamados apócrifos seriam considerados não-inspirados por Deus ou escritos de acordo com a vontade de seus autores, por inspiração humana. Argumentam que, no livro de II Timóteo, capítulo 3, versículo 16, está escrito que toda escritura é divinamente inspirada é proveitosa para educar o homem na justiça e tornar o homem de Deus qualificado para toda boa obra. E o próprio prólogo de Eclesiástico, Macabeus, capítulo 2, versículo 29 e capítulo 15, versículos 38 e 39 dizem não pretenderem ser inspirados e nem mesmo terem certeza da fidelidade dos fatos narrados. Todos os livros sagrados, em parte - logicamente -, foram citados por Jesus em seus ensinamentos e há referências diretas a eles feitas pelos apóstolos. Em 15abr1546, o Concílio de Trento, decretou que 11 dos 16 livros então apócrifos são canônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, os dois livros de Macabeus e acrescentou o Repouso de Ester ao livro canônico de mesmo nome e a História de Susana, a História dos três mancebos e a História de Bel e o Dragão ao livro de Daniel. E desde então, são considerados sagrados pela Igreja Católica e constam na Bíblia grega.

Livros sagrados por religião
Cristianismo: Bíblia / Velho Testamento / Novo Testamento
Confucionismo: Analectos de Confúcio
Hinduísmo:
•Mahabharata
•Bhagavad Gita
•Upanishad
•Shruti
•Vedas
•Rig Veda
•Sama Veda
•Yajur Veda
•Atharva Veda
•Yoga Sutras
•Kama Sutra
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons):
Bíblia / Velho Testamento / Novo Testamento + Livro de Mórmon / Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor
Igreja de Satã: Bíblia Satânica
Islamismo: Alcorão (Corão) / Suna / Hadith
Judaísmo:
•Torá
•Tanakh
•Talmud
•Mitzvá
•Sefer Yetzirah
•Biblia
Taoísmo: Tao Te Ching
Zoroastrismo: Avesta
Fé Bahá'í
•Kitáb-i-Aqdas
•Kitáb-i-Íqán
•Palavras Ocultas
•Epístola ao Filho do Lobo
•Os Sete Vales
•Jóias dos Mistérios Divinos
•Epístolas de Bahá'u'lláh
•O Tabernáculo da Unidade
•O Chamado do Senhor das Hostes
•Palestras de 'Abdu'l-Bahá
•O Segredo da Civilização Divina
•Epístolas do Plano Divino
•A Última Vontade e Testamento

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tomás de Aquino (são)

Tomás de Aquino (são), nasceu em Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7mar1274, foi um padre dominicano, teólogo, distinto expoente da escolástica, proclamado santo e cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus pela Igreja Católica. Tomás nasceu em Aquino por volta de 1225, de acordo com alguns autores no castelo do pai Conde Landulf de Aquino, localizado em Roccasecca, no mesmo Condado de Aquino (Reino da Sicília, no atual Lácio). Por meio de sua mãe, a condessa Teodora de Theate, Tomás era ligado à dinastia Hohenstaufen do Sacro Império Romano-Germânico. O irmão de Landulf, Sinibald, era abade da original abadia beneditina em Monte Cassino. Enquanto os demais filhos da família seguiram uma carreira militar, a família pretendida que Tomás seguisse seu tio na abadia; isto teria sido um caminho normal para a carreira do filho mais novo de uma família da nobreza sulista italiana.

Aos cinco anos, Tomás começou sua instrução inicial em Monte Cassino, mas depois que o conflito militar que ocorreu entre o imperador Frederico II e o papa Gregório IX na abadia no início de 1239, Landulf e Teodora matricularam Tomás na studium generale (universidade) criada recentemente por Frederico II em Nápoles. Foi lá que Tomás provavelmente foi introduzido nas obras de Aristóteles, Averróis e Maimônides, todos que influenciariam sua filosofia teológica. Foi igualmente durante seus estudos em Nápoles que Tomás sofreu a influência de João de São Juliano, um pregador dominicano em Nápoles que fazia parte do esforço ativo intentado pela ordem dominicana para recrutar seguidores devotos. Nesta época seu professor de aritmética, geometria, astronomia e música era Pedro de Ibérnia. Aos 19 anos, contra a vontade da família, entrou na ordem fundada por Domingos de Gusmão. Estudou filosofia em Nápoles e depois em Paris, onde se dedicou ao ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Estudou teologia em Colônia e em Paris se tornou discípulo de Santo Alberto Magno que o "descobriu" e se impressionou com a sua inteligência. Por este tempo foi apelidado de "boi mudo". Dele disse Santo Alberto Magno: "Quando este boi mugir, o mundo inteiro ouvirá o seu mugido." Foi mestre na Universidade de Paris no reinado de Luís IX de França. Morreu, com 49 anos, na Abadia de Fossanova, quando se dirigia para Lião a fim de participar do Concílio de Lião, a pedido do Papa. Seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo, introduzindo o aristotelismo, sendo redescoberto na Idade Média, na Escolástica anterior, compaginou um e outro, de forma a obter uma sólida base filosófica para a teologia e retificando o materialismo de Aristóteles. Em suas "duas summae", sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época: a Summa theologiae e a Summa contra gentiles. A partir dele, a Igreja tem uma Teologia (fundada na revelação) e uma Filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo a Deus. Sustentou que a filosofia não pode ser substituída pela teologia e que ambas não se opõem. Afirmou que não pode haver contradição entre fé e razão. Explica que toda a criação é boa, tudo o que existe é bom, por participar do ser de Deus, o mal é a ausência de uma perfeição devida e a essência do mal é a privação ou ausência do bem. Além da sua Teologia e da Filosofia, desenvolveu também uma teoria do conhecimento e uma Antropologia, deixou também escrito conselhos políticos: Do governo do Príncipe, ao rei de Chipre, que se contrapõe, do ponto de vista da ética, ao O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Com o uso da razão é possível demonstrar a existência de Deus, para isto propõe as 5 vias de demonstração:

Primeira via
Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido.

Segunda via
Causa primeira: decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita.

Terceira via
Ser necessário: existem seres que podem ser ou não ser (contingentes), mas nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, logo é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.

Quarta via
Ser perfeito: verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.

Quinta via
Inteligência ordenadora: existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada.

"A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência". Tomás de Aquino concluiu que a descoberta da verdade ia além do que é visível. Antigos filósofos acreditavam que era verdade somente o que poderia ser visto. Aquino já questiona que a verdade era todas as coisas porque todas são reais, visíveis ou invisíveis, exemplificando: uma pedra que está no fundo do oceano não deixa de ser uma pedra real e verdadeira só porque não pode ser vista. Aquino concorda e aprimora Agostinho de Hipona quando diz que "A verdade é o meio pelo qual se manifesta aquilo que é". A verdade está nas coisas e no intelecto e ambas convergem junto com o ser. O "não-ser" não pode ser verdade até o intelecto o tornar conhecida, ou seja, isso é apreendido através da razão". Aquino chega a conclusão que só se pode conhecer a verdade se você conhece o que é o ser.

A verdade é uma virtude como diz Aristóteles, porém o bem é posterior a verdade. Isso porque a verdade está mais próximo do ser, mais intimamente e o que o sujeito ser do bem depende do intelecto, "racionalmente a verdade é anterior". Exemplificando: o intelecto apreende o ser em si; depois, a definição do ser, por último a apetência do ser. Ou seja, primeiramente a noção do ser; depois, a construção da verdade, por fim, o bem.

Sobre a eternidade da verdade ele, Tomás, discorda em partes com Agostinho. Para Agostinho a verdade é definitiva. Imutável. Já para Aquino, a verdade é a consequência de fatos causados no passado. Então na supressão desses fatos à verdade deixa de existir. O exemplo que Tomás de Aquino traz é o seguinte: A frase "Sócrates está sentado" é a verdade. Seja por uma matéria, uma observação ou analise, mas ele está sentado. Ao se levantar, ficando de pé, ele deixa de estar sentado. Alterando a verdade para a segunda opção, mudando a primeira. Contudo, ambos concordam que na verdade divina a verdade por não ter sido criada, já que Deus sempre existiu, não pode ser desfeita no passado e então é imutável.

Segundo Tomás de Aquino, a ética consiste em agir de acordo com a natureza racional. Todo o homem é dotado de livre-arbítrio, orientado pela consciência e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames da ordem moral. O primeiro postulado da ordem moral é: faz o bem e evita o mal.

Há uma Lei Divina, revelada por Deus aos homens, que consiste nos Dez Mandamentos. Há uma Lei Eterna, que é o plano racional de Deus que ordena todo o universo e uma Lei Natural, que é conceituada como a participação da Lei Eterna na criatura racional, ou seja, aquilo que o homem é levado a fazer pela sua natureza racional.

A Lei Positiva é a lei feita pelo homem, de modo a possibilitar uma vida em sociedade. Esta subordina-se à Lei Natural, não podendo contrariá-la sob pena de se tornar uma lei injusta; não há a obrigação de obedecer à lei injusta (este é o fundamento objetivo e racional da verdadeira objecção de consciência).

A Justiça consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o que é seu - suum cuique tribuere - e classifica-se como comutativa, distributiva e legal, conforme se faça entre iguais, do soberano para os súbditos e destes para com aquele, respectivamente.

Partindo de um conceito aristotélico, Aquino desenvolveu uma concepção hilemórfica do ser humano, definindo o ser humano como uma unidade formada por dois elementos distintos: a matéria primeira (potencialidade) e a forma substancial (o princípio realizador). Esses dois princípios se unem na realidade do corpo e da alma no ser humano. Ninguém pode existir na ausência desses dois elementos. A concepção hilemórfica é coerente com a crença segundo a qual Jesus Cristo, como salvador de toda a humanidade, é ao mesmo tempo plenamente humano e plenamente divino. Seu poder salvador está diretamente relacionado com a unidade, no homem ou na mulher, do corpo e da alma. Para Aquino, o conceito hilemórfico do homem implica a hominização posterior, que ele professava firmemente. Uma vez que corpo e alma se unem para formar um ser humano, não pode existir alma humana em corpo que ainda não é plenamente humano.

O feto em desenvolvimento não tem a forma substancial da pessoa humana. Tomás de Aquino aceitou a ideia aristotélica de que primeiro o feto é dotado de uma alma vegetativa, depois, de uma alma animal, em seguida, quando o corpo já se desenvolveu, de uma alma racional. Cada uma dessas "almas" é integrada à alma que a sucede até que ocorra, enfim, a união definitiva alma-corpo.

Conforme as próprias palavras de Aquino:
"Anima igitur vegetabilis, quae primo inest, cum embryo vivit vita plantae, corrumpitur, et succedit anima perfectior, quae est nutritiva et sensitiva simul, et tunc embryo vivit vita animalis; hac autem corrupta, succedit anima rationalis ab extrinseco immissa (…) cum anima uniatur corpori ut forma, non unitur nisi corpori cuius est proprie actus. Est autem anima actus corporis organici". Em inglês: "The vegetative soul therefore, which is first in the embryo, while it lives the life of a plant, is destroyed, and there succeeds a more perfect soul, which is at one nutrient and sentient, and for that time the embryo lives the life of an animal: upon the destruction of this, there succeeds the rational soul, infused from without (…) For since the soul is united with the body as a form, it is only united with that body of which it is properly the actualisation. Now the soul is the actualisation of an organised body".

Em português: "A alma vegetativa, que vem primeiro, quando o embrião vive como uma planta, corrompe-se e é sucedida por uma alma mais perfeita, que é ao mesmo tempo nutritiva e sensitiva, quando o embrião vive uma vida animal; quando ela se corrompe, é sucedida pela alma racional induzida do exterior (…) Já que a alma se une ao corpo como sua forma, ela não se une a um corpo que não seja aquele do qual ela é propriamente o ato. A alma é agora o ato de um corpo orgânico".

Cronologia
1225 - Tomás de Aquino nasce no castelo de Roccasecca.
1226 - Morte de Francisco de Assis.
1230 - Tomás inicia seus estudos na Abadia de Montecassino.
1240 - Alberto magno começa a ensinar em Paris e a comentar Aristóteles.
1241 - Morte do papa Gregório IX
1244 - Fundação da Universidade de Roma. Tomás entra para a Ordem dos Dominicanos.
1245 - Estuda em Paris até 1248, sob a orientação de Alberto Magno.
1248 - Alberto Magno funda, em Colônia, uma faculdade de teologia. Tomás continua seus estudos em Colônia até 1259.
1252 - Leciona em Paris até 1259.
1257 - Robert de Sorbon funda um colégio na Universidade de Paris.
1259 - Escreve o Comentário sobre as sentenças e a Suma contra os gentios. Leciona na Itália, até 1268, em Agnani, Orvieto, Roma e Viterbo.
1261 - Início do pontificado de Urbano IV.
1265 - Clemente IV ascende ao trono papal. Nasce Dante Alighieri. Tomás redige a Suma Teológica, até 1273.
1266 - (?) Nasce Duns Scot.
1268 - Morte de Clemente IV. Interregno pontifical.
1269 - Ensina em Paris até 1272.
1271 - Eleição de Gregório X.
1274 - Tomás falece a 7 de março, em Fossanova.
1323 - É canonizado pelo papa João XXII.